Artigo

CONSERVAÇÃO DO LOBO-GUARÁ E DO CERRADO



CONSERVATION OF THE MANED WOLF AND THE CERRADO

Kaio José Silva Maluf Franco

RESUMO

O presente artigo aborda a conservação do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e do bioma Cerrado, destacando os desafios enfrentados por esta espécie emblemática e seu habitat natural. A pesquisa investiga como práticas educativas e iniciativas conservacionistas podem promover a conscientização ambiental, analisando a efetividade de ações pedagógicas criativas para sensibilizar comunidades escolares e a sociedade em geral. Utilizando uma abordagem qualitativa e documental, o estudo analisou legislações ambientais, textos científicos e materiais educativos. Em sala de aula, alunos participaram de atividades como leitura, interpretação de textos e produções criativas, incluindo roteiros teatrais e podcasts. Essas ações foram fundamentadas em fragmentos de textos selecionados pelo professor e voltadas para temas como preservação do Cerrado, mitos sobre o lobo-guará e a importância da lobeira (Solanum lycocarpum). Os resultados indicam que a integração entre educação ambiental e iniciativas conservacionistas é eficaz para sensibilizar diferentes públicos. As atividades pedagógicas fortaleceram o engajamento dos alunos e disseminaram informações acessíveis sobre os desafios enfrentados pela espécie e pelo bioma. Conclui-se que a educação ambiental, aliada a políticas públicas consistentes, é essencial para a preservação do lobo-guará e do Cerrado, destacando a necessidade de ampliação de tais iniciativas.


Palavras-chave: Lobo-guará, Cerrado, educação ambiental, conservação, biodiversidade.



ABSTRACT

This article addresses the conservation of the maned wolf (Chrysocyon brachyurus) and the Cerrado biome, highlighting the challenges faced by this iconic species and its natural habitat. The research investigates how educational practices and conservation initiatives can promote environmental awareness by analyzing the effectiveness of creative pedagogical actions to sensitize school communities and society at large. Using a qualitative and documentary approach, the study analyzed environmental legislation, scientific texts, and educational materials. In the classroom, students participated in activities such as reading, text interpretation, and creative productions, including theatrical scripts and podcasts. These actions were based on text excerpts selected by the teacher and focused on topics such as Cerrado preservation, myths about the maned wolf, and the importance of the lobeira plant (Solanum lycocarpum). The results indicate that integrating environmental education and conservation initiatives effectively raises awareness across diverse audiences. Pedagogical activities enhanced student engagement and disseminated accessible information about the challenges faced by the species and the biome. It is concluded that environmental education, combined with consistent public policies, is essential for the preservation of the maned wolf and the Cerrado, emphasizing the need to expand such initiatives.


Keywords: Maned wolf, Cerrado, environmental education, conservation, biodiversity.



1. INTRODUÇÃO

Este artigo apresenta os resultados da pesquisa realizada pelos alunos do sexto ano do Ensino Fundamental do CEPI de Aplicação de Iporá GO, sob a orientação do Prof. Ms. Kaio José Silva Maluf Franco. O objetivo principal foi desenvolver uma investigação sobre um tema de grande importância e relevância para a sociedade, incentivando os alunos a refletirem sobre problemas atuais e pensarem em possíveis soluções.

Inicialmente, a turma sugeriu diferentes temas para a pesquisa, como lixo no espaço sideral, violências na escola, racismo e a história do Flamengo. Durante o processo de escolha, naquele momento sob a orientação da Profª Esp. Alessandra Nunes Ferreira de Oliveira destacou a necessidade de optar por um tema que, além de ser relevante, possibilitasse a elaboração de propostas de intervenção práticas e aplicáveis.

Após discussões e reflexões em grupo, a turma decidiu investigar a extinção do lobo-guará, um animal símbolo do Brasil, que enfrenta graves ameaças à sua sobrevivência. Este tema chamou a atenção dos alunos pela sua conexão com questões ambientais e a importância de preservar a biodiversidade.

Na tentativa de delimitação do tema, durante uma das aulas, o Prof. Ms. Kaio José Silva Maluf Franco utilizou o artigo científico “Meio século da proibição da caça no Brasil: consequências de uma política inadequada de gestão de vida selvagem”. O texto discute a promulgação da Lei de Proteção à Fauna, de 1967, que transformou a fauna silvestre brasileira em propriedade do Estado, proibindo sua caça, captura e uso sem autorização governamental. Apesar disso, o artigo aponta que a caça ilegal persiste em várias regiões, causando o aumento do número de espécies ameaçadas (Tomas et al., 2018, p. 75). O texto também critica a ausência de políticas públicas eficazes e de programas de educação ambiental para promover a conservação e o uso sustentável da fauna (Tomas et al., 2018, p. 76).

Os alunos analisaram trechos que explicam como a falta de controle adequado e a caça clandestina contribuem para o declínio de espécies como o lobo-guará, conectando essa realidade com a necessidade de um tema relevante para a pesquisa. Essa discussão foi essencial para que a turma decidisse pelo foco na extinção do lobo-guará, considerando sua importância para o equilíbrio ambiental e a urgência de sua preservação.

A temática definida para a pesquisa da turma ficou no sentido de entender as causas que levam o lobo-guará ao risco de extinção, os impactos disso para o meio ambiente e como todos podem contribuir para proteger esse animal tão especial.

O tema desse artigo, que se apresenta como relatório da pesquisa do 6ºC do CEPI de Aplicação de 2024 é a conservação do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), maior canídeo da América do Sul, e do bioma Cerrado, seu habitat natural, destaca-se como um tema de relevância ecológica, cultural e educativa. Com sua presença na nota de R$ 200 reais e sua interação mutualística com a lobeira (Solanum lycocarpum), o lobo-guará simboliza a importância da preservação da biodiversidade e do equilíbrio ambiental.

Apesar da proteção garantida por legislações ambientais brasileiras, como a Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967) e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), o lobo-guará enfrenta ameaças crescentes, como a perda de habitat, atropelamentos e conflitos com humanos. Neste contexto, surge a questão problema da pesquisa: como ações educativas e conservacionistas podem contribuir para a preservação do lobo-guará e do Cerrado, promovendo a conscientização ambiental?

Partimos das seguintes hipóteses: 1. a integração entre práticas educativas e iniciativas conservacionistas pode ampliar a conscientização sobre a importância da preservação do lobo-guará e do Cerrado; 2. atividades pedagógicas que utilizam elementos culturais e ecológicos, como a relação entre o lobo-guará e a lobeira, podem facilitar o engajamento comunitário na preservação ambiental; e 3. a divulgação científica, associada a produções criativas, como vídeos e encenações, tem o potencial de sensibilizar diferentes públicos sobre os desafios enfrentados pela espécie e pelo bioma.

O objetivo geral da pesquisa é investigar como a educação ambiental e as iniciativas conservacionistas podem sensibilizar a comunidade escolar e a sociedade em geral para a importância da preservação do lobo-guará e do bioma Cerrado. Para tanto, os objetivos específicos: a) analisar o arcabouço legislativo e os desafios na aplicação das políticas de conservação do lobo-guará e do Cerrado; b) investigar os impactos da ocupação humana no Cerrado sobre a biodiversidade local; c explorar a relação mutualística entre o lobo-guará e a lobeira, destacando sua importância ecológica; e d) desenvolver e avaliar atividades pedagógicas criativas, como roteiros teatrais e produções audiovisuais, voltadas para a sensibilização ambiental.

O estudo é de natureza bibliográfica e documental, com análise de textos legais, artigos científicos e materiais educativos relacionados à conservação do lobo-guará e do Cerrado. As atividades práticas envolveram a leitura e interpretação de fragmentos de textos em sala de aula, além da criação de produções criativas, como roteiros teatrais e podcasts. Essas ações promoveram o desenvolvimento do pensamento crítico e a disseminação de informações sobre a importância da preservação ambiental.

Os resultados evidenciaram que a combinação de educação ambiental e iniciativas conservacionistas é uma estratégia eficaz para sensibilizar diferentes públicos. As atividades pedagógicas realizadas contribuíram para ampliar o conhecimento sobre os desafios enfrentados pelo lobo-guará e pela biodiversidade do Cerrado, ao mesmo tempo que fortaleceram o engajamento dos alunos e da comunidade escolar.

A revisão literária desse artigo está organizada em quatro subseções que aborda o arcabouço legal, o estado de conservação do lobo-guará (2.1), os impactos da ocupação do Cerrado (2.2), a relação mutualística entre o lobo-guará e a lobeira (2.3) e iniciativas de conservação e educação ambiental (2.4).


2. REVISÃO LITERÁRIA

2.1 Conservação e relevância cultural do lobo-guará

Esta seção tem como objetivo apresentar um panorama legal e conservacionista sobre o lobo-guará, destacando as principais legislações ambientais que o protegem, a avaliação de seu estado de conservação e sua relevância simbólica na sociedade brasileira. A abordagem busca evidenciar o papel da legislação na proteção da fauna, os desafios enfrentados pela espécie em seu habitat natural e as iniciativas de valorização cultural e ambiental, como sua representação na nota de R$ 200. Dessa forma, busca-se promover uma compreensão integrada dos esforços para garantir a preservação do lobo-guará e do Cerrado, ressaltando a importância de medidas conjuntas entre sociedade e governo para a conservação ambiental.


2.1.1 A proteção da fauna e flora no Brasil

No Brasil, a proteção da fauna e da flora é garantida por diversas leis que visam preservar o meio ambiente e assegurar o equilíbrio ecológico. Uma das principais legislações é a Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967, conhecida como Lei de Proteção à Fauna. Essa lei estabelece que todos os animais silvestres são propriedade do Estado, proibindo sua caça, perseguição, destruição ou captura sem a devida autorização (Brasil, 1967, art. 1º).

Além disso, a Constituição Federal de 1988 reforça a importância da proteção ambiental, determinando que é dever do Poder Público e da coletividade defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações. O artigo 225, §1º, inciso VII, da Constituição, proíbe práticas que coloquem em risco a função ecológica da fauna e da flora, que provoquem a extinção de espécies ou que submetam os animais à crueldade (Brasil, 1988).

Complementando essas normas, a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998) estabelece sanções penais e administrativas para condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, incluindo crimes contra a fauna e a flora. Essa lei prevê penalidades para quem mata, persegue, caça, apanha ou utiliza espécimes da fauna silvestre sem a devida permissão, licença ou autorização (Brasil, 1998, art. 29).

Essas legislações demonstram o compromisso do Brasil com a conservação ambiental, buscando equilibrar o desenvolvimento econômico com a preservação dos recursos naturais e a proteção das espécies nativas.

A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998) estabelece sanções para condutas que prejudicam o meio ambiente, incluindo crimes contra a fauna e a flora.

Atos como matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar animais silvestres sem permissão são punidos com detenção de seis meses a um ano e multa. Se o crime for cometido contra espécies ameaçadas ou em períodos de reprodução, a pena pode ser aumentada de metade até o triplo (Brasil, 1998, art. 29).

Destruir ou danificar florestas de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-las infringindo normas de proteção, resulta em detenção de um a três anos, multa ou ambas as penas cumulativamente. Se o crime for culposo (sem intenção), a pena é reduzida pela metade (Brasil, 1998, art. 38).

Provocar incêndio em mata ou floresta é punido com reclusão de dois a quatro anos e multa (Brasil, 1998, art. 41).

A pena pode ser aumentada se o crime for cometido: para obter vantagem financeira; com uso de métodos cruéis; contra espécies ameaçadas; em períodos de reprodução ou migração; em áreas de unidades de conservação (Brasil, 1998, art. 15).


2.1.2 Avaliação do estado de conservação do Lobo-guará

A avaliação do estado de conservação do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) revela informações importantes sobre sua distribuição geográfica, população e as principais ameaças à sua sobrevivência.

Conforme Paula et al. (2013), o lobo-guará era amplamente encontrado em áreas de campos e Cerrados na América do Sul central, incluindo o Brasil, Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina. No Brasil, ocorre principalmente no Cerrado, chegando à transição com a Caatinga, ao leste do Pantanal e nos campos gerais do sul do país. No entanto, sua distribuição sofreu reduções, especialmente no sul, onde agora ocorre apenas em áreas limitadas do Rio Grande do Sul e na divisa com o Uruguai. Apesar disso, a espécie expandiu para áreas originalmente ocupadas por floresta Atlântica, que se tornaram mais adequadas após o desmatamento (Paula et al., 2013, p. 45).

A população do lobo-guará no Brasil foi estimada em 21.746 indivíduos em 2005, com base em várias densidades populacionais observadas no Cerrado (Paula et al., 2013, p. 47). No Parque Nacional da Serra da Canastra, a densidade populacional foi estimada em 0,08 indivíduos por quilômetro quadrado, sendo uma das áreas de maior concentração da espécie. Contudo, há uma tendência de redução significativa dessa população devido ao atropelamento e à perda de habitat, considerados as principais ameaças (Paula et al., 2013, p. 47).


2.1.3 Lobo Guará nota de 200

O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) ganhou destaque nacional ao ser escolhido para estampar a cédula de R$ 200, lançada pelo Banco Central em 2020. A escolha do animal remonta a 2001, quando uma pesquisa perguntou à população quais animais da fauna brasileira deveriam ilustrar as novas cédulas do Real. O lobo-guará ficou em terceiro lugar, atrás da tartaruga-marinha, que aparece na nota de R$ 2, e do mico-leão-dourado, presente na cédula de R$ 20 (Barbosa, 2020).

A nota de R$ 200 apresenta elementos que representam o cerrado brasileiro, como o arbusto lobeira, cuja fruta é uma importante parte da alimentação do lobo-guará. Além de nutrir o animal, a lobeira ajuda a preservar seus rins contra parasitas, enquanto o lobo-guará, ao consumir os frutos, espalha suas sementes pelo bioma (Barbosa, 2020).

Embora a nota traga o lobo-guará e elementos de sua relação com o cerrado, sua aparência foi alvo de críticas. Muitos esperavam um design mais vibrante, mas a cédula tem tons de cinza com detalhes em sépia, o que decepcionou parte da população (Barbosa, 2020).

O lobo-guará é o maior canídeo da América do Sul e um animal típico do cerrado. Seu nome científico significa "cão vermelho de cauda curta", em alusão às suas principais características físicas (Barbosa, 2020). A presença do lobo-guará na cédula reforça a importância da preservação deste animal e de seu habitat natural.

Nesta seção, foram apresentados os principais aspectos relacionados à proteção legal, ao estado de conservação e à relevância cultural do lobo-guará. A Lei nº 5.197/1967, a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) destacam o compromisso do Brasil com a preservação ambiental, enfatizando a necessidade de proteger a fauna e a flora nativas. A avaliação do estado de conservação do lobo-guará revelou a redução preocupante de sua população e habitat, destacando atropelamentos e a destruição do Cerrado como ameaças críticas à sua sobrevivência. Por fim, a escolha do lobo-guará como símbolo na cédula de R$ 200 reforça sua importância cultural e ecológica, servindo como um alerta para a necessidade de proteger este animal emblemático e seu habitat natural. Esses elementos enfatizam a urgência de ações integradas para garantir a preservação do lobo-guará e do bioma Cerrado.


2.2 Impactos da ocupação do cerrado sobre o lobo-guará

Esta seção tem como objetivo explorar os impactos da ocupação humana no Cerrado sobre a biodiversidade, com foco especial no lobo-guará (Chrysocyon brachyurus). Serão abordados aspectos relacionados à intensificação da agropecuária, à transformação da paisagem natural em áreas antropizadas e à perda de território da espécie. A análise busca evidenciar como as práticas econômicas e de uso da terra no Cerrado têm contribuído para a redução dos habitats naturais do lobo-guará, destacando as consequências dessa dinâmica para sua sobrevivência e para o equilíbrio ecológico do bioma.


2.2.1 Ocupação do cerrado pela agropecuária

A ocupação do Cerrado pela agropecuária intensificou-se a partir da década de 1960, sendo impulsionada por políticas públicas e de crédito voltadas para a exploração de grãos e carne (Ramos et al., 2018, p. 45). A transferência da capital federal para Brasília e os investimentos em infraestrutura, aliados ao desenvolvimento de novas tecnologias, foram os principais fatores que contribuíram para a abertura de grandes áreas do bioma para atividades agrícolas (Ramos et al., 2018, p. 46).

Programas como o PADAP, o POLOCENTRO e o PRODECER foram criados para apoiar essa expansão, oferecendo crédito rural, assistência técnica e incentivos fiscais. Essas iniciativas transformaram a paisagem do Cerrado, antes rica em biodiversidade, em vastas áreas de monocultura e pastagens para pecuária. Essa mudança atraiu agricultores experientes de outras regiões do país, que começaram a explorar as extensas áreas de vegetação nativa, apesar da baixa fertilidade do solo (Ramos et al., 2018, p. 47).

Atualmente, o Cerrado é responsável por cerca de 55% da produção nacional de carne bovina e é destaque na produção de grãos, com municípios como Jataí e Rio Verde (GO) liderando em produtividade. Entretanto, a expansão agropecuária levou ao desmatamento de 48% do território do Cerrado nos últimos 50 anos, com uma média de 14 mil quilômetros quadrados desmatados por ano entre 2002 e 2008 (Ramos et al., 2018, p. 48).

Essa perda de habitat tem impactos diretos na fauna local, incluindo o lobo-guará. A destruição das áreas nativas reduz significativamente os recursos naturais disponíveis para a espécie, colocando-a em risco de extinção. A transformação do Cerrado em um celeiro agrícola representa um desafio crítico para a conservação da biodiversidade e para a sobrevivência de espécies como o lobo-guará.


2.2.2 A Transformação da paisagem

O Cerrado brasileiro tem passado por profundas transformações devido à intensificação da agricultura e da pecuária. Historicamente, os solos do Cerrado são caracterizados por baixos níveis de nutrientes e alta acidez, o que tornava a região inviável para produção em larga escala sem técnicas de manejo adequadas. Entretanto, a expansão das atividades agrícolas resultou em práticas insustentáveis, como o desmatamento de novas áreas para cultivo, após o esgotamento dos solos iniciais. Esse comportamento ainda é observado em pequenos produtores e contribui para a pressão sobre as áreas naturais remanescentes (Ramos et al., 2018, p. 50).

Estima-se que cerca de 37% do Cerrado já tenha perdido sua cobertura vegetal original, sendo substituído por paisagens dominadas pela ação humana. Das áreas restantes, 63% estão em propriedades privadas, 9% em terras indígenas e apenas 3% estão protegidas por Unidades de Conservação Federais, o que reflete a baixa prioridade dada à preservação ambiental na região (Ramos et al., 2018, p. 51).

O modelo de ocupação do Cerrado, adotado sem ampla participação da sociedade, segue uma lógica de desenvolvimento pautada em incentivos fiscais, financiamento subsidiado, uso intensivo de tecnologias agrícolas e a exclusão das populações rurais. Essa abordagem favorece a concentração de terras e reduz a diversidade cultural e ambiental do bioma (Ramos et al., 2018, p. 52).

Essas mudanças na paisagem têm consequências diretas para a biodiversidade do Cerrado, incluindo o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), que depende dos habitats naturais para sua sobrevivência. A transformação do Cerrado em um mosaico de monoculturas e pastagens fragmenta os ecossistemas, diminuindo a disponibilidade de alimentos e áreas de refúgio para a espécie.


2.2.3 Perda de território

A expansão acelerada da agropecuária e das áreas urbanas no Cerrado tem causado a perda significativa do habitat natural do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus). Estima-se que, entre 2011 e 2012, aproximadamente 7 mil km² do Cerrado foram desmatados, impactando diretamente a sobrevivência dessa espécie (Ramos et al., 2018, p. 54). Com a fragmentação do território, o lobo-guará enfrenta dificuldades para encontrar áreas adequadas para viver e, muitas vezes, precisa atravessar rodovias movimentadas, o que aumenta significativamente os casos de atropelamento, especialmente em estados como São Paulo, Minas Gerais e Goiás (Ramos et al., 2018, p. 55).

Além dos atropelamentos, o contato cada vez mais próximo com seres humanos trouxe novos desafios para a espécie. Entre as ameaças estão a perseguição por fazendeiros, que acreditam, equivocadamente, que o lobo-guará é responsável por ataques a criações, e a disseminação de doenças transmitidas por animais domésticos, como cães. Essas doenças incluem cinomose, parvovirose e leishmaniose, que podem afetar gravemente populações anteriormente saudáveis (Ramos et al., 2018, p. 56).

No Rio Grande do Sul, onde a espécie migrava ocasionalmente, a expansão de áreas agrícolas e urbanas, aliada a crenças populares como o uso de partes do lobo-guará como amuletos, contribuiu para a quase extinção local do animal (Ramos et al., 2018, p. 57). Esses fatores refletem a necessidade urgente de políticas de conservação mais eficazes, como a criação de corredores ecológicos para mitigar os atropelamentos e a conscientização sobre a importância da preservação dessa espécie emblemática.

Nesta seção, foram discutidos os principais impactos da ocupação humana no Cerrado sobre o lobo-guará e a biodiversidade local. A intensificação da agropecuária, impulsionada por políticas públicas desde a década de 1960, transformou o Cerrado em um dos principais polos de produção agrícola do Brasil, mas resultou na perda de quase metade de sua cobertura vegetal original. Essa transformação fragmentou os habitats naturais, reduzindo os recursos disponíveis para o lobo-guará e outras espécies. Além disso, a fragmentação do território e a proximidade com áreas urbanas aumentaram os riscos de atropelamentos, conflitos com humanos e disseminação de doenças. Essas mudanças reforçam a urgência de políticas de conservação, como a criação de corredores ecológicos e a conscientização sobre práticas sustentáveis, para garantir a preservação do lobo-guará e do bioma Cerrado.


2.3 Lobeira

Esta seção tem como objetivo explorar a relação mutualística entre o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e a lobeira (Solanum lycocarpum), destacando a importância dessa planta para a sobrevivência da espécie e para a regeneração do Cerrado. Serão abordados os benefícios ecológicos proporcionados pela dispersão das sementes pelo lobo-guará, a relevância da lobeira na dieta do animal e as iniciativas educacionais e práticas relacionadas ao cultivo dessa planta. A análise busca reforçar a necessidade de ações de preservação e reflorestamento que contribuam para a manutenção do equilíbrio ambiental e a conservação da biodiversidade do Cerrado.

A lobeira (Solanum lycocarpum), popularmente conhecida como fruta-do-lobo, desempenha um papel fundamental na sobrevivência do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), além de contribuir para o equilíbrio ecológico do Cerrado. Essa planta nativa fornece frutos que compõem uma parte significativa da dieta do lobo-guará, sendo consumida durante todo o ano. A fruta-do-lobo funciona como um vermífugo natural, eliminando parasitas como o verme gigante do rim (Dioctophyma renale), essencial para a saúde do animal (Ramos et al., 2018, p. 59).

A relação entre o lobo-guará e a lobeira é um exemplo de mutualismo. Enquanto o lobo consome os frutos e se beneficia de suas propriedades, ele também dispersa as sementes ao longo das vastas áreas que percorre, contribuindo para a regeneração de campos degradados do Cerrado. Estudos mostram que o lobo-guará pode percorrer até 60 km por dia, distribuindo sementes em locais propícios para a germinação. Dessa forma, a lobeira não só sustenta a dieta do lobo, mas também se beneficia da dispersão de suas sementes (Rodrigues, 2002, p. 62).

Além de consumir os frutos da lobeira, o lobo-guará também se alimenta de animais considerados indesejados pelo homem, como roedores e cobras, contribuindo para o controle dessas populações. Esse papel ecológico é crucial para manter o equilíbrio do bioma do Cerrado, que está sob constante ameaça devido ao desmatamento e à expansão agropecuária (Ramos et al., 2018, p. 63).

Para sensibilizar os alunos do sexto ano sobre a importância da preservação do lobo-guará e do Cerrado, foi realizada uma aula teórica e prática em 6 de agosto de 2024, com o tema "Cultivo de Mudas de Lobeiras para Reflorestamento do Cerrado". A proposta incluiu a discussão sobre a extinção do lobo-guará, sua importância ecológica e os benefícios do reflorestamento com lobeiras. Durante a aula, foram abordados métodos de cultivo de mudas, além de técnicas de transplante e cuidados com as plantas.

Apesar do planejamento, o projeto não pôde ser realizado na prática devido à dificuldade de obtenção de sementes de lobeiras, mesmo após buscas em fornecedores na internet. Contudo, a atividade teórica permitiu que os alunos compreendessem a relevância da lobeira para o Cerrado e o impacto da destruição desse habitat na sobrevivência do lobo-guará.

As lobeiras são arbustos resilientes que prosperam em solos bem drenados e adaptam-se facilmente ao clima do Cerrado. O cultivo de lobeiras para reflorestamento é uma estratégia eficiente para mitigar os efeitos da destruição ambiental, fornecendo alimento para a fauna local e ajudando na recuperação de áreas degradadas. A dispersão das sementes pelo lobo-guará promove o ciclo natural de regeneração, beneficiando todo o ecossistema.

Iniciativas de reflorestamento com lobeiras, aliadas à educação ambiental, podem conscientizar as futuras gerações sobre a importância de preservar o Cerrado e suas espécies. Além disso, práticas como a criação de corredores ecológicos podem ajudar a conectar fragmentos de habitat, reduzindo os riscos para o lobo-guará e promovendo a biodiversidade.

Nesta seção, foi destacada a relação mutualística entre o lobo-guará e a lobeira, evidenciando como essa interação contribui tanto para a sobrevivência da espécie quanto para a regeneração do Cerrado. A lobeira desempenha um papel essencial na dieta do lobo-guará, funcionando como alimento e vermífugo natural, enquanto o lobo-guará, ao dispersar suas sementes, auxilia na recuperação de áreas degradadas do bioma. Apesar das dificuldades práticas enfrentadas no projeto de cultivo de mudas de lobeiras, a atividade teórica reforçou a importância da educação ambiental para conscientizar as futuras gerações sobre a preservação do Cerrado e de suas espécies. A promoção de iniciativas de reflorestamento e a criação de corredores ecológicos são passos fundamentais para mitigar os impactos da destruição ambiental, garantir a sobrevivência do lobo-guará e preservar o equilíbrio ecológico do Cerrado.


2.4 Iniciativas de conservação e educação ambiental

Esta seção tem como objetivo explorar as iniciativas e estratégias voltadas para a conservação do lobo-guará e a preservação do Cerrado, com foco no papel dos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), projetos de conservação e atividades educativas realizadas com os alunos. Além de destacar as ações práticas e científicas, como o resgate e reabilitação de animais e o uso de tecnologias como monitoramento por GPS, a seção aborda a relevância da educação ambiental e de campanhas publicitárias na sensibilização da sociedade. Busca-se demonstrar como essas iniciativas contribuem para a conscientização e o engajamento da comunidade na proteção do lobo-guará e de seu habitat.


2.4.1 O papel dos centros de triagem de animais silvestres na conservação do lobo-guará

Os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) desempenham um papel crucial na conservação do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), uma espécie classificada como criticamente ameaçada de extinção. Essas unidades especializadas são responsáveis pelo resgate, reabilitação e reintrodução de animais silvestres em seus habitats naturais. Em 2019, o Cetas de Goiânia devolveu à natureza uma fêmea de lobo-guará de aproximadamente dois anos, que havia sido resgatada após um incêndio florestal. Após 40 dias de reabilitação, o animal foi solto em uma área preservada do Cerrado, no âmbito do Projeto Asas em Goiás (Ibama, 2019).

Além do manejo de fauna, os Cetas também atuam em pesquisa científica, ensino e extensão, colaborando com a redistribuição de competências federais, estaduais e municipais para a preservação da biodiversidade, conforme a Lei Complementar n.º 140/2011. No entanto, em muitas regiões, essas unidades permanecem como os únicos centros governamentais para o manejo de animais resgatados, destacando sua importância no cenário ambiental brasileiro (Ibama, 2019).

Entre 2018 e 2019, os 24 Cetas em operação no Brasil receberam cerca de 70 mil animais silvestres por ano, dos quais uma média de 35 mil foram reabilitados e devolvidos à natureza. O tempo de reabilitação varia conforme o estado de saúde, habilidades de sobrevivência e a disponibilidade de áreas seguras para soltura (Ibama, 2019). No caso de animais não aptos à reintrodução, os Cetas trabalham na destinação desses indivíduos a criadores ou santuários autorizados.

Apesar dos desafios orçamentários enfrentados nos últimos anos, o Ibama garantiu recursos para manter a operação das unidades e promover melhorias na infraestrutura. Essa estrutura é fundamental para lidar com ameaças enfrentadas por espécies como o lobo-guará, especialmente em um cenário de crescentes pressões ambientais, como desmatamento e queimadas no Cerrado.


2.4.2 Conservação do lobo guará

O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), além de ser um símbolo nacional, é essencial para o equilíbrio do ecossistema do Cerrado. Seu papel como dispersor de sementes e controlador de populações de pequenos animais, como roedores e cobras, traz benefícios tanto para a biodiversidade quanto para o setor produtivo rural (Agência Brasil, 2020). No entanto, a espécie enfrenta ameaças crescentes, como a destruição de seu habitat devido à expansão agrícola e urbana, atropelamentos e conflitos com seres humanos.

Projetos de conservação, como o Lobos da Canastra, têm mostrado que é possível integrar conservação e atividades econômicas. No Parque Nacional da Serra da Canastra, por exemplo, produtores rurais foram conscientizados sobre os benefícios do lobo-guará para suas propriedades, como o controle de pragas, e incentivados a adotar práticas que promovem a convivência sustentável, como o uso de galinheiros protegidos (Agência Brasil, 2020).

O monitoramento de lobos com colares GPS, realizado em projetos como o Lobos do Pardo, ajuda a compreender o uso do ambiente pelo animal, permitindo a criação de estratégias que minimizem os impactos das atividades humanas. Esse conhecimento também fortalece políticas públicas e práticas de educação ambiental, essenciais para sensibilizar comunidades e produtores rurais sobre a importância do lobo-guará (Agência Brasil, 2020).

A educação ambiental desempenha um papel fundamental na conscientização da sociedade. Escolas e projetos comunitários podem usar o simbolismo do lobo-guará, como sua imagem na nota de R$ 200, para promover discussões sobre a conservação da biodiversidade do Cerrado e a necessidade de práticas sustentáveis. Além disso, o ecoturismo, como o promovido pelo projeto Onçafari, gera renda e empregos, mostrando que a preservação da fauna é benéfica para todos (Agência Brasil, 2020).


2.4.3 Campanha publicitária: sensibilização e conscientização sobre o lobo-guará e o cerrado

Os alunos do 6ºC de 2024 do CEPI de Aplicação participaram de diversas aulas e atividades práticas com o objetivo de sensibilizar e conscientizar sobre a importância da preservação do Cerrado e do lobo-guará. Essas iniciativas culminaram na criação de conteúdos educativos, como scripts gravados e encenados pelos estudantes, que serão futuramente editados e publicados no canal da webradio do CEPI de Aplicação no Instagram.

Na aula realizada no dia 3 de setembro de 2024, os alunos criaram e gravaram diálogos focados em desmistificar crenças populares sobre o lobo-guará, destacar os perigos da caça ilegal e reforçar sua importância ecológica. Os scripts abordaram temas como: "Proteger o Lobo-guará – Nosso Dever!": A importância do lobo-guará para o equilíbrio ambiental; "Mitos e Verdades Sobre o Lobo-guará": Desmistificação de crenças populares que prejudicam sua preservação; "Caça Ilegal – Um Perigo Para o Lobo-guará": Consequências da caça ilegal para a sobrevivência da espécie; e "Lobo-guará – Um Tesouro do Brasil": O lobo-guará como símbolo nacional e peça chave na biodiversidade do Cerrado.

No dia 10 de setembro de 2024, os alunos aprofundaram o tema da conservação do Cerrado, habitat natural do lobo-guará. Scripts para podcasts foram criados, enfatizando: O Habitat do Lobo-guará – Protegendo o Cerrado: Relação entre o Cerrado e a sobrevivência do lobo-guará; O Que Come o Lobo-guará?: Importância da lobeira como alimento essencial; Lobeira – A Fruta do Lobo-guará: Relação simbiótica entre o lobo-guará e a lobeira; e Cerrado – A Casa do Lobo-guará: Necessidade de preservar o Cerrado para garantir a sobrevivência de diversas espécies.

Na aula de 26 de novembro de 2024, os alunos participaram de uma atividade teatral que destacou as principais causas e soluções para a extinção do lobo-guará. Por meio de encenações criativas e colaborativas, os grupos apresentaram os seguintes scripts: Script 1: O Grito do Cerrado: Personagens discutem como ações individuais e coletivas podem ajudar a salvar o Cerrado e o lobo-guará; Script 2: Um Dia na Vida do Lobo-guará: Enfoque nos desafios diários enfrentados pelo lobo-guará, como queimadas, cercas e caça ilegal; Script 3: A Última Esperança do Lobo-guará: Representação de possíveis soluções como mutirões comunitários, educação ambiental e pesquisas científicas.

As gravações e encenações realizadas durante essas atividades não apenas proporcionaram uma maior compreensão sobre a importância da conservação ambiental, mas também promoveram habilidades como trabalho em equipe, comunicação e pensamento crítico. Os alunos foram incentivados a compartilhar as informações aprendidas em suas comunidades e a atuar como agentes de mudança ambiental.

Os vídeos e podcasts gravados serão editados e compartilhados no Instagram da webradio do CEPI de Aplicação, ampliando o alcance da campanha e engajando um público mais amplo na luta pela preservação do lobo-guará e do Cerrado.

O intuito com essa atividade é continuar incentivando a participação ativa dos alunos em projetos ambientais. Ainda, monitorar e avaliar o impacto das publicações da webradio na conscientização da comunidade. Por fim, expandir o projeto com a inclusão de novas temáticas relacionadas à preservação ambiental e à biodiversidade brasileira.

Nesta seção, foram destacadas as principais iniciativas voltadas para a conservação do lobo-guará e a preservação do Cerrado, evidenciando o papel fundamental dos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) no resgate, reabilitação e reintrodução de animais silvestres. Também foram apresentados projetos de conservação, como o Lobos da Canastra e o Lobos do Pardo, que aliam práticas sustentáveis ao uso de tecnologias inovadoras, como o monitoramento por GPS, para compreender melhor o comportamento da espécie. Além disso, as atividades educativas realizadas com os alunos, incluindo encenações, gravações de vídeos e podcasts, reforçaram a importância da conscientização ambiental e do engajamento comunitário. Essas ações mostram que a combinação de esforços científicos, educativos e sociais é essencial para promover a preservação do lobo-guará e do bioma Cerrado, garantindo o equilíbrio ecológico e o futuro das espécies ameaçadas.


3. MATERIAL E MÉTODOS

Este estudo, de natureza bibliográfica e documental, foi realizado com base na análise de literatura acadêmica, textos legais, materiais de divulgação científica e outros documentos relacionados ao tema da conservação do lobo-guará e do Cerrado. A pesquisa foi conduzida sem experimentos empíricos ou entrevistas, sendo estruturada a partir de leituras e interpretações feitas por estudantes, orientadas pelo professor em sala de aula.

Durante as aulas, o professor selecionou e apresentou fragmentos de textos relevantes para os temas abordados no artigo. Esses materiais incluíram leis ambientais brasileiras, estudos científicos sobre o estado de conservação do lobo-guará, textos sobre os impactos da ocupação do Cerrado e iniciativas de conservação. Os textos foram lidos e discutidos pelos alunos, que realizaram atividades de síntese e análise crítica para consolidar o aprendizado.

Adicionalmente, a pesquisa envolveu atividades pedagógicas criativas que utilizaram a dramaturgia como ferramenta para comunicar mensagens de preservação ambiental. Os alunos criaram e gravaram diálogos, roteiros para podcasts e encenações teatrais que abordaram temas como os mitos sobre o lobo-guará, a importância da lobeira e as consequências da caça ilegal. Essas produções foram fundamentadas nas leituras realizadas e orientadas para sensibilizar e conscientizar sobre a conservação do Cerrado e de sua biodiversidade.

As atividades práticas realizadas em sala de aula incluíram: leitura e interpretação de textos que foram apresentados, lidos e interpretados em grupo, seguidos de discussões guiadas pelo professor; produções criativas e quem os alunos elaboraram roteiros e encenações, criando conteúdos audiovisuais e teatrais para difusão em redes sociais e na comunidade escolar; e análise documental de Leis e artigos científicos que foram analisados em detalhes, permitindo aos alunos desenvolverem uma compreensão profunda dos temas abordados.

Essas metodologias proporcionaram um ambiente de aprendizado integrado, combinando pesquisa teórica com atividades práticas e comunicativas, promovendo a conscientização sobre o tema da preservação ambiental entre os alunos e suas comunidades.


4. RESULTADO E DISCUSSÃO

Os resultados da presente pesquisa evidenciam a relevância da abordagem integrada de conservação ambiental e educação na sensibilização sobre a preservação do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e do bioma Cerrado. Por meio da análise bibliográfica e documental, foi possível mapear os principais desafios enfrentados pela espécie, os avanços em políticas públicas e as iniciativas educativas que promovem a conscientização ambiental.

A análise das legislações ambientais, como a Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967) e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), revelou o arcabouço jurídico que sustenta a preservação do lobo-guará e outras espécies nativas. Essas leis, aliadas à proteção garantida pela Constituição Federal de 1988, destacam o compromisso do Brasil com a conservação ambiental, mas também expõem desafios relacionados à implementação e fiscalização efetiva (Brasil, 1967; 1988; 1998).

A inclusão do lobo-guará na nota de R$ 200 reforça sua importância simbólica e cultural, trazendo visibilidade à espécie. Barbosa (2020) aponta que essa escolha estimula discussões sobre a conservação da fauna e do Cerrado, ainda que a cédula tenha gerado controvérsias quanto ao design.

O estudo abordou os efeitos devastadores da expansão agropecuária no Cerrado, que resultou na perda de 48% da vegetação nativa e na fragmentação dos habitats naturais. Ramos et al. (2018) destacam que essa ocupação está diretamente relacionada ao aumento de atropelamentos, conflitos com humanos e redução da disponibilidade de recursos para o lobo-guará. Essa análise reflete a urgência de implementar políticas públicas que equilibrem o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental.

As atividades educativas realizadas com os alunos foram fundamentais para reforçar a conscientização ambiental. As produções criativas, como podcasts, vídeos e encenações teatrais, permitiram traduzir conceitos complexos de conservação em mensagens acessíveis e impactantes. Scripts como “Mitos e Verdades Sobre o Lobo-guará” e “Cerrado – A Casa do Lobo-guará” demonstraram a capacidade dos alunos de conectar informações científicas com práticas educativas, promovendo um entendimento mais amplo sobre o tema.

Além disso, a relação mutualística entre o lobo-guará e a lobeira (Solanum lycocarpum), descrita por Ramos et al. (2018) e Rodrigues (2002), foi trabalhada nas atividades. Os alunos compreenderam como o consumo e a dispersão de sementes pelo lobo-guará contribuem para a regeneração do Cerrado, ressaltando a importância da interação ecológica para o equilíbrio ambiental.

As discussões sobre projetos de conservação, como o Lobos da Canastra e o Lobos do Pardo, ilustraram como práticas inovadoras, como o uso de colares GPS e a criação de corredores ecológicos, podem mitigar os impactos da ocupação humana (Agência Brasil, 2020). Além disso, o papel dos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) na reabilitação e reintrodução de animais destacou a necessidade de fortalecer essas iniciativas.

Os resultados confirmam que a integração de estratégias educativas e conservacionistas é uma ferramenta poderosa para sensibilizar as comunidades sobre a preservação ambiental. Embora as legislações ambientais brasileiras sejam robustas, sua eficácia depende de uma implementação consistente e de maior envolvimento da sociedade civil. A experiência prática dos alunos demonstrou que atividades pedagógicas, como as realizadas nesta pesquisa, podem ser ampliadas para alcançar públicos mais amplos por meio de mídias digitais.

Barbosa (2020) e Ramos et al. (2018) fornecem uma base sólida para compreender os desafios e as oportunidades na conservação do lobo-guará. A relação simbólica e ecológica da espécie, associada a iniciativas educativas, pode servir de modelo para outras práticas de preservação ambiental.

Este estudo evidencia que, além de reforçar a preservação do lobo-guará, é essencial promover a conscientização sobre o Cerrado como um bioma crucial para a biodiversidade brasileira. A combinação de educação ambiental, legislação e iniciativas conservacionistas é um caminho viável para mitigar os impactos da ocupação humana e garantir o equilíbrio ecológico a longo prazo.


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa evidenciou a relevância da educação ambiental e das políticas conservacionistas na promoção da preservação do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e do bioma Cerrado. A abordagem integrada de análise bibliográfica e atividades educativas demonstrou ser uma ferramenta eficaz para sensibilizar e conscientizar sobre os desafios enfrentados pela espécie e pela biodiversidade local.

A análise das legislações ambientais brasileiras, como a Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967), a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), revelou um arcabouço jurídico robusto, mas dependente de maior fiscalização e aplicação para garantir a proteção efetiva do lobo-guará e de seu habitat. Complementarmente, iniciativas como os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e projetos de conservação, como o Lobos da Canastra, destacaram a importância de ações integradas entre governo, sociedade civil e pesquisadores para a preservação da fauna brasileira.

As atividades pedagógicas realizadas com os alunos, incluindo a criação de roteiros para vídeos, podcasts e encenações teatrais, demonstraram o potencial da educação ambiental como ferramenta para ampliar o alcance da mensagem conservacionista. A produção de conteúdos criativos possibilitou a compreensão de conceitos ecológicos e legislativos de maneira acessível e impactante, promovendo o engajamento das comunidades escolares e locais.

Por fim, a relação mutualística entre o lobo-guará e a lobeira (Solanum lycocarpum) destacou a interdependência das espécies e do ecossistema, reforçando a importância de práticas como o reflorestamento e a criação de corredores ecológicos para a manutenção do equilíbrio ambiental.

Conclui-se que a combinação de educação ambiental, divulgação científica e políticas públicas é essencial para mitigar os impactos da ocupação humana no Cerrado e para garantir a sobrevivência do lobo-guará. Este estudo ressalta a necessidade de ampliar iniciativas educativas e conservacionistas, fomentando o envolvimento de diferentes setores da sociedade na luta pela preservação ambiental e pela sustentabilidade do bioma Cerrado.

6. REFERÊNCIAS

AGÊNCIA BRASIL. Conservação do lobo-guará beneficia produtores rurais, dizem biólogos. Publicado 02/09/2020. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-09/conservacao-do-lobo-guara-beneficia-produtores-rurais-dizem-biologos. Acesso em: 17 set. 2024.


BARBOSA, Marina. Conheça o lobo-guará, da cédula de R$ 200. In: Correio Brasiliense. Postado em 02/09/2020 às 18:11. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2020/09/4872834-conheca-o-lobo-guara--da-cedula-de-r--200.html. Acesso em: 13 maio 2024.


BRASIL. Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967. Dispõe sobre a proteção à fauna e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5197.htm. Acesso em: 10 dez. 2024.


BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 10 dez. 2024.


BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm. Acesso em: 10 dez. 2024.


IBAMA. Cetas/GO devolve lobo-guará à natureza. Publicado 20/09/2019. Disponível em: https://www.ibama.gov.br/ultimas-2/2044-cetas-go-devolve-lobo-guara-a-natureza. Acesso em: 17 set. 2024.


PAULA, Rogério Cunha de; RODRIGUES, Flávio Henrique Guimarães; QUEIROLO, Diego; JORGE, Rodrigo Pinto Silva; LEMOS, Frederico Gemesio; RODRIGUES, Livia de Almeida. Avaliação do estado de conservação do Lobo-guará Chrysocyon brachyurus (Illiger, 1815) no Brasil. Avaliação do Estado de Conservação dos Carnívoros. In: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Biodiversidade Brasileira, v. 3, n. 1, p. 45-48, 2013.


RAMOS, Dayane de Oliveira; SILVA, Diego Cruz; PASCARELLI, Bernardo Miguel de Oliveira. O papel da substituição do cerrado por áreas de agropecuária e a extinção do Lobo Guará. In: Semioses: Inovação, Desenvolvimento e Sustentabilidade. Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, abr./jun. 2018.


RODRIGUES, L. de Almeida. A relação do lobo-guará com a lobeira e sua importância ecológica. In: Conservação e Sustentabilidade no Cerrado. Brasília: Instituto Cerrado Vivo, 2002. p. 58-64.


TOMAS, W. M.; MAGNUSSON, W. E.; MOURÃO, G.; BERGALLO, H. G.; LOPES, S. F. T. P.; CRAWFORD, P. G. J.; CAMPOS, Z.; CAMILO, A. R.; VERDADE, L. M.; TORTATO, F. R.; PERES, C. A. Meio século da proibição da caça no Brasil: consequências de uma política inadequada de gestão de vida selvagem. In: Biodiversidade Brasileira, v. 8, n. 2, p. 75-81, 2018. Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/BioBR. Acesso em: 10 dez. 2024.